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Acervo Histórico

Pinheiro... Pinheiral

As terras onde hoje se localiza o Município de Pinheiral foram habitadas inicialmente por indígenas da tribo dos Coroados que viviam nesta região.
Com o processo de expansão da lavoura cafeeira a partir dos subúrbios do Rio de Janeiro, deu-se a ocupação da Serra Do Mar e do Vale do Paraíba, proporcionando amplas perspectivas econômicas, devido à proximidade da Corte, fonte de generosas distribuições de terras e títulos. È neste contexto que, expulsando os índios e posseiros ou submetendo alguns deles como agregados, importando escravos africanos, os fazendeiros promoveram uma contínua expansão em terras fluminenses. Dentre esses proprietários destacaram-se no Vale do Paraíba, os Moraes, os Monteiro de Barros, os Oliveira Roxo e os Breves.
Pinheiral teve como primeiro núcleo de povoamento, a Fazenda São José do Pinheiro, uma das mais suntuosas e prósperas do ciclo do café no Vale do Paraíba. Pertencia ao Comendador José Joaquim de Souza Breves, cunhado e genro de José Gonçalves de Moraes, Barão de Piraí. Sua construção foi concluída em 1851. Não era uma simples habitação da roça, mas, um Palácio elegante e suntuoso, erguido na colina, cercado de montanhas, voltado para o Rio Paraíba do Sul.
Havia nesta propriedade cerca de 2000 escravos, dos quais uns 30, empregados no serviço doméstico. A habitação continha o necessário para atender as exigências de uma população tão numerosa: Farmácia, Hospital para hóspedes e para negros, oficina de roupas, onde as negras cortavam e costuravam, cozinha para hóspedes e para os negros e uma magnífica Banda de Música formada por escravos.
José Joaquim de Souza Breves foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Piraí, o que equivalia a atual função de Prefeito.
Em 1870, o Comendador Breves cedeu uma parcela de terras da Fazenda para dar lugar à linha férrea da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que após a proclamação da República, passou a denominar-se Estrada de Ferro Central do Brasil.
Em 1871, foi instalada a Estação do Pinheiro, no início simples parada próxima a sede da Fazenda. A inauguração do trecho Pinheiro-Barra Mansa, contou com a presença da Princesa Isabel e seu augusto esposo Conde D’Eu.
O prédio da Estação de Pinheiro só foi inaugurado em 1908. Hoje reformado, abriga a única Biblioteca Pública do Município denominada Biblioteca Pública Prefeito Aurelino Gonçalves Barbosa.
Com o falecimento de José Joaquim de Souza Breves em 1879, sem deixar herdeiros diretos, a Fazenda foi desapropriada e declarada de Utilidade Pública, bem como a Estação de Pinheiro, na E.F.C.B.
Após 1895, vários ocupantes e pretendentes à posse dos lotes de terra, buscaram regularizar sua situação junto à Inspetoria Geral de Terras e Colonização, adquirindo o domínio útil dos terrenos que já possuíam, ou fazendo novos arrendamentos.
Em outubro de 1897, a antiga Fazenda Pinheiro foi cedida ao Ministério da Guerra, que instalou nela o acantonamento do segundo Batalhão de Caçadores.
Apesar de em 1899 a Fazenda ter passado para o Ministério da Agricultura, a Engenharia do Exército, até 1928, ali realizava manobras, contando às vezes com a presença do Presidente da República. Aqui estiveram Epitácio Pessôa e Washington Luiz. Na revolução de 1930, serviu como Hospital de Sangue.
No ano de 1909, já sobre a direção do Ministério da Agricultura, a sede da antiga Fazenda teve suas dependências adaptadas às necessidades exigidas para a instalação do Posto Zootéchino Federal de Pinheiro, cuja estrutura e montagem foram supervisionadas pelo Dr. Hector Raqueth, especialmente contratado na Bélgica para esse fim.
Foi a primeira Fazenda de Criação do Brasil e tinha entre seus objetivos receber os primeiros exemplares de gados SCHWYZ, vindos da Bélgica com a finalidade de aumentar a produção leiteira.
As Instalações ampliadas anexas ao Posto (Hoje Campus Nilo Peçanha) serviram de sede no passado, ao Aprendizado Agrícola, ao Patronato Agrícola, a Escola Superior de Agronomia e Veterinária, o que nos leva a crer que os primeiros veterinários do Brasil se formaram aqui.
O Posto Zootécnico foi oficialmente inaugurado em 1912 com a presença de inúmeras personalidades políticas, civis e religiosas (Revista Ilustração Brasileira, 01/05/1912 – acervo Ralph M.Giesbrecht) era o progresso chegando... Mais de cem habitações formavam o povoado. Assim, a Comissão da Fazenda e Orçamento Municipal determinou:
1º Fica a população de Pinheiro sujeita ao Imposto predial.
2 ºO produto do imposto a que se refere..será especialmente empregado em melhoramentos na mesma localidade – Sala de sessões 07/02/1913.
A primeira Igreja Instalada foi a Católica que ficava localizada onde hoje se encontra a Bar do Armandinho. Próximo à Capela havia uma mina famosa, onde a população se abastecia de água potável.
O ano de 1920 foi um marco na história de Pinheiro: Os Reis da Bélgica, S.M Rei Alberto e S.M a Rainha Elizabeth, o Presidente da República Dr. Epitácio Pessoa, o Ministro da Agricultura Dr. Simões Lopes, o General Tasso Fragoso, O Ministro da Guerra Pandiá Calógeras e muitas outras autoridades visitaram o Posto Zootécnico e o Patronato agrícola de Pinheiro. Chegaram de Trem especial à Estação.
Outro marco neste ano foi à inauguração da primeira caixa d’água abastecida pelo manancial cedido pelo proprietário da Fazenda Santo Antônio das Palmeiras. A instalação hidráulica pública (torneira) foi feita no local onde hoje é a praça Brasil.
Em 1922, dois fatos relevantes para o povoado da Estação de Pinheiro (como era chamado): José Gomes da Silva Júnior montou a primeira padaria, no lugar onde hoje está a “loja da Soninha”. “Seu Zezé da Padaria”, com era conhecido, vereador de espírito bondoso, patriótico e progressista, custeou a construção da Praça inaugurada a sete de setembro de 1922, dando-lhe o nome de Praça Brasil, em comemoração ao centenário da Independência. Periodicamente, mandava buscar em Petrópolis um jardineiro para cuidar do jardim.
Também neste ano, a primeira aviadora brasileira Anésia Pinheiro Machado utiliza o percurso da ferrovia para se orientar e aterrissa em Pinheiro na sua viagem São Paulo – Rio, comemorativa ao centenário da Independência.
Em 30 de outubro de 1926, foi fundado o Capitólio Futebol Clube, hoje em fase dinâmica de recuperação e ampliação.

Quem visitava Pinheiro tinha um local de primeira para se hospedar: O Pinheiro Hotel, de Miguel Barbosa Anchite, que com a colaboração de sua família, o dirigia com esmero, proporcionando refinado conforto. Nele se hospedaram autoridades civis e militares, viajantes, funcionários públicos, veranistas do mais exigente paladar, de conforto e respeitabilidade ambiental.
Do Sr. Anchite foi também o primeiro caminhão. Mais ou menos, em 1927, o seu motorista era o Silvio Caldas que mais tarde se tornaria um cantor famoso e conhecido em todo Brasil.
O primeiro automóvel pertenceu ao Sr. José Moscardelli.
Entre as praças Brasil e Rio Grande do Sul (hoje Praça Teixeira Campos), foi instalada a primeira bomba de gasolina da Vila.
A primeira escola primária pública foi dirigida por Dona Augusta Wertaime, localizada na Rua José Breves perto da Igreja Nossa Senhora da Conceição. Outra escola funcionou num prédio na histórica Praça Brasil, sob a direção da Professora Lily Maria Sym, a Escola Dez. O Centro Espírita Allan Kardec Luz e Amor manteve uma escola de alfabetização, gratuita, num prédio à Rua Nini Cambraia, onde continua funcionando o mesmo. Era responsável a Professora Renée de Souza Sabença. Trabalho importante, pois atendia crianças necessitadas.
Até 1932 a energia elétrica era produzida precariamente pela Empresa de Laticínios e distribuída pela Vila. A partir daquele ano, a LIGHT assumiu a responsabilidade do fornecimento de energia. A primeira chave geral foi instalada num poste na esquina das Ruas CEL. Joaquim Ferreira Ribeiro com a Rua José Gomes da Silva Júnior. As melhorias foram sensíveis.
A primeira ligação foi efetuada pelo Dr. Felipe Nora, dono da Fábrica de Sabonetes e pasta de dentes Colippe, localizada à Rua José Breves, próximo a Igreja. O Dr. Felipe era um competente Cirurgião Dentista.
Em 1940 a Estação e o povoado, trocam de nome passando de Pinheiro a Pinheiral.
O fato de já existir no Estado do Rio de Janeiro uma Vila com o nome de Pinheiro, fez com que se buscasse outro nome para o Distrito. O Prefeito da época, Otávio Teixeira Campos, promoveu então, uma reunião com a população local para resolver sobre o novo nome. O Dr. Remy Barbosa, presente a reunião relatou que após muita discussão o Sr. Jose Gomes da Silva Júnior, ex-vereador, teve a seguinte idéia: “Nós poderíamos conservar de certa forma o Nome Pinheiro, porque Pinheiro era quando existia somente a Fazenda, mas, aqui cresceu, edificaram-se muitas casas. Vamos admitir que formou-se um Pinheiral!”
Todos riram e aprovaram a idéia.
No dia 12 de agosto de 1941, Pinheiral recebeu um grande presente de Deus: Dom Martinho Schlude. Padre Alemão, ordenado em 15 de novembro de 1940; Pessoa de extrema bondade, humildade e amor ao próximo. Honrava ao extremo os votos de pobreza que fizera quando foi ordenado sacerdote. Morava na sacristia da Igreja onde tinha apenas uma cama, e uma cômoda onde guardava duas batinas, uma bastante surrada e outra em melhores condições, que usava quando viajava, o que era coisa rara.
Com a ajuda dos fazendeiros locais adquiriu um velho automóvel – um Ford 29, que usava não por comodidade, mas, por necessidade, pois atendia as paróquias vizinhas e a população das fazendas.
Era muito amado pelo povo de Pinheiral. Católicos ou não, todos reconheciam naquele homem alto, franzino, simples, não apenas um pai espiritual, mas um amigo fraterno.
Dom Martinho, com suas próprias mãos, juntamente com a comunidade, exercendo a função de servente de pedreiro, construiu a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em virtude da cidade ter crescido, e a pequena igreja já não comportar a quantidade de fiéis que iam assistir suas missas e cerimônias eclesiásticas.
Dom Martinho tinha um sonho: Construir um Hospital em Pinheiral. Iniciou a obra... pequeno ambulatório que nunca chegou a funcionar como desejava. Hoje abriga o Centro Pastoral Dom Martinho Schlude.
Foi vigário de Pinheiral por quarenta e três anos, tendo falecido em 23 de julho de 1984. O povo ficou com um espaço em branco em seu coração: Perdeu Dom Martinho, sua grandiosidade, humildade e compaixão.
Por muitos anos, a base da economia de Pinheiral foi a indústria de cerâmica, cujo desenvolvimento teve início com a implantação da Olaria São Jorge, de propriedade do Sr. Nilton Penna Botelho, laborioso, com as próprias mãos, fabricou os primeiros tijolos. Homem de grande visão empresarial, tornou-se um líder econômico-financeiro. A ele Pinheiral deve muito do seu progresso. Com intuição, trabalho e honradez foi um dos vultos mais expressivos do passado, legando ao presente as bases de um futuro progressista.
O Aprendizado Agrícola Nilo Peçanha, foi instalado em março 1942. Dispondo sempre de boa direção e de ótimos professores e funcionários, formou sua primeira turma em 1944, tendo entre os formandos os pinheiralenses Ary Torres Ferreira, Adalberto Gonçalves Barbosa, Waldir do Prado, Ciro Vieira de Sousa, Raul Rodrigues Torres e Jaime Pimenta.
A Cultura se desenvolvia em Pinheiral. O Sr. Benedito Honorato, instalou o primeiro cinema localizado no prédio onde hoje é a “K-Pastel Bar e Restaurante” à Rua José Gomes da Silva Júnior. Mais tarde mudou-se para um Casarão em frente à Estação da EFCB. Tempos depois Benedito Honorato, homem de inegável bondade e caráter progressista, transferiu o Cinema para um local mais confortável, na Rua Domingos Mariano. Era um Cine teatro, onde várias companhias teatrais e artistas avulsos divulgaram cultura e divertimento. Seu Benedito formou um grupo amador e brilhou como autor, músico e ator, com grande sucesso.
Em 1946, na Praça Brasil, a Empresa Camerano Montuori Leal inaugurou o Cine Odeon, que foi por muito tempo o maior ponto de diversão, hoje com suas atividades encerradas.
Em 1947, o Prefeito José Rodrigues Fortes, iniciou a reforma da Praça Rio Grande do Sul em frente a Estação, que passou a se chamar Praça Teixeira Campos, por decisão da Câmara Municipal, assinada pelo então Prefeito João Guimarães, seu sucessor, em 22 de novembro de 1947.
O Grupo Escolar Alzira Vargas do Amaral Peixoto foi inaugurado em 1952 e sua primeira diretora foi a professora Ivete Mazza Andrade.
Em 1953, um grupo de políticos pinheiralenses iniciou um movimento: Queriam desmembrar o Distrito de Pinheiral, para ser anexado ao Município de Volta Redonda, que se pretendia criar. Este projeto não foi aprovado e Pinheiral se manteve ligado a Piraí até 1995, quando se emancipou.

A Banda de Música Sociedade Recreativa de Pinheiral, com sede à Rua 7 de setembro, foi fundada em 10 de junho de 1957, sendo seu primeiro presidente o Sr. Mário Vieira. Apesar de todas as dificuldades, a Banda continua exercendo suas atividades, abrilhantando nossas festas e levando o nome do município por onde se apresenta.
O Centro Municipal de Ensino Roberto Silveira foi instalado no município pelo prefeito Aurelino Gonçalves Barbosa em 1968. Mantinha os Cursos Primário, Ginasial, Normal, Contabilidade e Secretariado. Seu primeiro diretor foi o Professor Alcino Machado Paraguaçu. Graças a esse educandário o índice de escolarização e aproveitamento cresceu, favorecendo o orçamento familiar, pois antes, os pais eram obrigados a mandar seus filhos estudar em cidades vizinhas, o que ficava caro, pois além de outros compromissos, tinham que pagar as passagens.
Em 1974, Pinheiral consegue a legalização de parte das terras pertencentes à União, através da Lei proposta pelo Dr. Osvaldo da Fonseca. (monumento erguido na Praça Brasil)
O progresso e o crescimento, tanto populacional quanto cultural, consolidou o amadurecimento político, e o desejo da população pinheiralense em se desvincular do município-mãe.
O líder político, Aurelino Gonçalves Barbosa, e um grupo de pessoas idealistas que desfrutavam do mesmo sonho, uniram-se em um movimento pró-emancipação. Eles se reuniam periodicamente no Santos Social Clube, para traçar os caminhos viáveis, que os levariam a vitória almejada.
O primeiro passo rumo à Emancipação Político-Administrativa foi dado em agosto de 1991, quando o Deputado Estadual Antônio Francisco Neto encaminhou à Presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, um ofício propondo a realização de um plebiscito. No dia 13 de março de 1995, 95% dos eleitores que compareceram às urnas votaram SIM.
O Projeto de Lei Nº 2055/94, foi votado pela Assembléia Legislativa em 23 de maio de 1995.
O Governador Marcello Alencar, em 13 de junho de 1995, sancionou a Lei Nº 2408, criando o Município de Pinheiral.
Em 1997, em uma solenidade simples, no Centro Municipal de Ensino Roberto Silveira, que durou apenas uma hora, tomou posse, o Primeiro Prefeito de Pinheiral, Aurelino Gonçalves Barbosa, o Vice Prefeito Antônio Reis Franco e os membros da primeira Câmara Municipal.
Com inúmeras dificuldades, o Dr. Aurelino iniciou a estruturação do novo Município, com pouco dinheiro e muita garra, disposição e a certeza que estava no caminho certo.
Pinheiral começou a se desenvolver. Infelizmente seu líder maior não pôde ver a realização de seu sonho, pois faleceu antes do término de seu mandato em 23 de agosto de 2000, sendo substituído pelo Vice Prefeito Antônio Reis Franco.
“Aurelino Gonçalves Barbosa, foi o principal líder político de Pinheiral e ficará na História, como o promotor de sua Emancipação e o Construtor das bases que permitiram a transformação de um simples lugarejo em uma Cidade...”
(Dr. Adahir Gonçalves Barbosa)
Para a Gestão de 2001 a 2004, foi eleito o Sr. Laerce de Paula Nunes que realizou mudanças no setor administrativo municipal, implantou os Módulos de Saúde, a Delegacia Legal, e urbanizou algumas ruas e praças.

Para o mandato de 2005 a 2008, foi eleito o médico pinheiralense, Doutor Antônio Carlos Leite Franco. Apesar de encontrar o município numa difícil situação financeira usou de sua credibilidade, honestidade e honradez para angariar parceiros políticos nas esferas Federal, Estadual, Municipal e no setor Empresarial, o que foi relevante para que Pinheiral conseguisse renegociar suas dívidas, saná-las e reiniciar o crescimento.
Neste período, Dr. Toninho, como é carinhosamente chamado, conseguiu realizar o maior sonho de Aurelino, de Dom Martinho e de todos os munícipes pinheiralenses: Concluir as obras do Hospital, iniciadas em 1992, adaptando os espaços de acordo com as normas do Ministério da Saúde e finalmente inaugurá-lo no dia 13 de junho de 2005, dando-lhe o nome de Hospital Municipal Aurelino Gonçalves Barbosa.
As grandes realizações do Prefeito Toninho na Saúde, Educação, Urbanização, Obras, Preservação Ambiental entre tantas outras, possibilitaram sua reeleição para a gestão 2008 a 2011, com quase o dobro dos votos do principal candidato da oposição.
Empossado no dia 01 de janeiro de 2009, Doutor Antônio Carlos continua lutando contra os enormes problemas financeiros, gerados pela crise econômica, buscando sempre novas parcerias que o ajudem a minimizar os empecilhos inerentes ao município ainda adolescente, com 14 anos, necessitando de grandes investimentos empresariais difíceis de serem conseguidos, uma vez que, até nos dias de hoje, o Município de Pinheiral não possui a posse total das terras da União, dificultando muito a instalação de novos empreendimentos industriais.
Pinheiral hoje tem aproximadamente 23 mil habitantes, está em pleno desenvolvimento, já funcionando com sua estrutura básica, com os órgãos públicos necessários instalados para proporcionar maior comodidade para seus munícipes.
O mapa de Pinheiral tem como aparência a figura de um pássaro, que está alçando vôo rumo ao progresso.

Texto:
Prof.ª Lília de Nazareth Monteiro


Fontes de Pesquisa

Bibliográfica:

Breves, Padre Reynato – Santana do Piraí e a sua História

Breves, Padre Reynato – Piraí nas Atas da Câmara

Breves, Padre Reynato – A saga dos Breves

Documental:
Arquivo Municipal – Secção de Manuscritos – Piraí – RJ.
Acervo pessoal cedido por Cidadãos Pinheiralenses

Pesquisadores:
Prof.ª Lília de Nazareth Monteiro
Pedro Heitor Freitas Silveira

Digitação:
Ramon Valadares de Medeiros


HISTÓRICO DE PINHEIRAL:

As terras, onde hoje está localizado o Município de Pinheiral, tiveram como primeiros habitantes, os índios da tribo dos “Coroados”, que até o século XIX, se confrontavam com os primeiros desbravadores brancos.
Em 1851 foi construída a Fazenda São José do Pinheiro, propriedade do Barão de Piraí, José Gonçalves de Moraes, que a deixou como herança a seu genro José Joaquim de Souza Breves por testamento. Esta Fazenda, São José do Pinheiro, foi uma das mais suntuosas e prósperas Fazendas de Café do Vale do Paraíba Fluminense. Não era uma simples habitação da roça, mas um palácio elegante e suntuoso como qualquer palacete da Corte. Erguida na colina cercada de montanhas, voltada para águas do Rio Paraíba do Sul, ostentava um magnífico jardim ao seu redor. Duas escadarias de mármore, laterais, levavam à varanda em frente a sala de espera, adornada com retratos de suas majestades, o Imperador e a Imperatriz, obras do pintor Cramaelstan, algumas gravuras de Horácio Vernet, mobília e objetos de decoração de apurado bom gosto.
O salão nobre da Fazenda, era uma peça soberba: grandes espelhos de Veneza, ricos candelabros de prata, lustres, mobília, tudo como os que ornavam os palacetes da Corte, na capital do Império. Enfim, tudo na Fazenda era luxo e harmonia (Peregrinação pela Província de São Paulo – Augusto Emílio Zaluar). Existiam na propriedade, dois mil escravos dos quais, 30 (trinta) trabalhavam no serviço doméstico. Para atender esta numerosa população, havia na fazenda: farmácia, cozinhas para hóspedes e para escravos, capela, um padre e um médico.
Todas as meninas aprendiam a costurar, bordar e fazer renda com perfeição.
As cozinhas, as oficinas e os quartos dos negros, circundavam o terreiro espaçoso, cheio de árvores e arbustos.
Havia também uma orquestra formada por negros escravos, que aprendiam a arte da música com um professor contratado pelo Comendador José Joaquim de Souza Breves (“Viagem ao Brasil”, 1865 – 1866 – Luiz e Elizabeth Agassiz).
O Comendador Breves era cunhado e genro do Barão de Piraí e irmão de Joaquim José de Souza Breves, o “Rei do Café”, que foram grandes produtores de café do país, donos de milhares de escravos, navios, ilhas, fazendas, sítios, prédios, chácaras na Corte e um teatro, onde se apresentou o grande ator português, João Caetano. Foi o primeiro Prefeito de Piraí.
Em 1870, com a chegada do transporte ferroviário, surgiu a Estação de Pinheiro, em terras doadas pelo Comendador. Ao seu redor, pouco a pouco foram surgindo algumas moradias. Era o início da Vila Pinheiro.
Em 1879, faleceu o Comendador, sem deixar herdeiros. Seu testamento é uma prova de sentimento, caridade e bondade, pois não só deixava alforriados seus numerosos escravos, como ainda lhes doava terras para nelas viverem e tirarem seu sustento (Fazenda da Cachoeirinha – “Fazenda da Cria”). Além disso tinha um teor filantrópico ligado a doações à igrejas, casas de saúde, apólices para custear o ensino primário e a educação religiosa católica romana e social do povo.
Em 1890, através do Decreto nº 6.862 de 23 de Agosto, foram declaradas de utilidade pública, as terras da Fazenda Pinheiro, na Estação da Estrada de Ferro.
No ano de 1891, sua sede foi adquirida pela Fazenda Federal.
Em 1895, os moradores da Vila procuraram a Inspetoria Geral de Terras e Colonização para regularizar o domínio útil dos terrenos e fazer novos arrendamentos.
A partir de 1897, a Fazenda Pinheiro foi cedida ao Ministério da Guerra, nela passando a funcionar um Hospital Militar.
Em 1899, passou para o Ministério da Agricultura, que em 1909, nela instalou o Posto Zootécnico Federal de Pinheiro.
No ano de 1910, foi criada a Escola Média de Agricultura, Agronomia e Veterinária de Pinheiro, que formou sua primeira turma em 1914.
De 1916 à 1918, funcionou nesse local, a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, o que nos leva a afirmar, que a primeira turma de Médicos Veterinários do Brasil, concluíu o curso em Pinheiral, em 1917, com quatro formandos: Antônio Teixeira Vianna, Jorge de Sá Earp, Moacyr Alves de Souza e Taylor Ribeiro de Melo.
Através do Decreto de Lei nº 1.360, de 21 de Novembro de 1916, foi criado o Distrito de Pinheiro.
De acordo com Decreto nº 12.894 de 28 de Fevereiro de 1918 a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, foi transferida para Niterói, sendo inaugurado em Pinheiro, o Curso Complementar Patronato Agrícola, destinado à educação de menores desvalidos.
No ano de 1920, o Patronato Agrícola, recebeu a visita dos Reis da Bélgica, Alberto e Elizabeth, do Presidente da República Dr. Epitácio Pessoa, do Ministro da Agricultura Dr. Simões Lopes, do Ministro da Guerra Dr. Pandiá Calógeras e outras autoridades.
Em 1941, nasce o Aprendizado Agrícola “Nilo Peçanha” (Decreto nº 7.072).
Em 1968, o Colégio passou a ser subordinado a UFF (Universidade Federal Fluminense).
Em 1985, o antigo prédio da Fazenda Pinheiro e mais duas glebas de suas terras, foram cedidas pelo Ministério da Agricultura a esta Universidade, por 20 (vinte) anos.
No ano seguinte, um incêndio de grandes proporções, destruiu parcialmente a sede da Fazenda São José do Pinheiro, posteriormente Posto Zootécnico, tendo o fato se repetido em 1990. Hoje, o Casarão encontra-se em ruínas, mas uma mobilização pró-restauração, liderada pelos “Amigos do Casarão”, com total apoio de órgãos governamentais, particulares e outros, tem se fortalecido dia a dia, aumentando a espectativa da concretização deste sonho acalentado há muitas décadas pela população de Pinheiral.
O primeiro passo para a emancipação político-administrativa foi dado em agosto de 1991, quando o deputado estadual Antonio Francisco Neto encaminhou à presidência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, um ofício propondo a realização de um plebiscito. Uma comissão liderada pelo Dr. Aurelino Gonçalves Barbosa deu início ao movimento de emancipação.
No dia 13 de março de 1994 através do plebiscito, 95 % dos eleitores que compareceram às urnas votaram SIM; em 23 de maio de 1995 a Assembléia Legislativa votou o Projeto de Lei nº 2055.
Em 13 de junho de 1995 o governador Marcello Alencar sancionou a lei nº 2408, tornando Pinheiral um novo município.
Após acirrada campanha eleitoral no dia 03 de outubro de 1996 o Dr. Aurelino Gonçalves Barbosa (PFL) foi eleito primeiro prefeito de Pinheiral, com 4.945 votos contra 1.939 votos de seu principal adversário, Luiz Gonzaga de Carvalho (PSDB).
Finalmente em 1º de Janeiro de 1997, às 10 horas, no Centro Municipal de Ensino Roberto Silveira, numa solenidade simples que durou apenas 01 hora tomaram posse o Prefeito Dr. Aurelino Gonçalves Barbosa, o Vice-Prefeito Antonio Reis Franco e a Câmara dos Vereadores, assim constituída:

• Jorge Maia – PMDB
• Luiz Carlos Pontual de Oliveira - PV
• Luiz Carlos Senhorinho Rabelo – PFL
• Levy Bitencourt da Silva – PMDB
• José Carlos da Silva Diniz – PV
• Antonio Carlos Valle da Silva – PFL
• Luiz Carlos da Silva – PFL
• Pedro Paulo Santana – PFL
• Célio Adelino da Paz – PMDB

Cerca de 600 pessoas estiveram presentes nesta solenidade.

O Secretariado desta primeira gestão foram:

• Jorge Chrisóstomo Torres – Procuradoria Jurídica
• Haroldo Bento Salles Filho – Secretaria de Governo
• José Hedyr Valle da Silva – Secretaria de Fazenda
• Antonio Leite Barros – Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio
e Turismo
• Antonio Carlos Leite Franco – Secretaria de Saúde
• Jadson Soares de Moura – Secretaria de Administração
• Carlos Henrique de Souza – Secretaria de Obras, Meio Ambiente e
Habitação
• Olga Maria Braga de Moura – Secretaria de Educação e Cultura

Em 2000, com o falecimento do primeiro Prefeito, Dr. Aurelino Gonçalves Barbosa (em meio ao mandato), tomou posse o então vice-Prefeito Antonio Reis Franco.
Em Janeiro de 2001, assumiu o governo o Prefeito Laerce de Paula Nunes, criando novas secretarias com diferentes nomenclaturas. Alguns órgãos foram implantados entre eles a 101ª Delegacia Legal de Pinheiral.
Em Janeiro de 2005, entrou em exercício o quarto Prefeito de Pinheiral, Dr. Antonio Carlos Leite Franco, em cujo mandato tem buscado e conseguido recursos para realizar obras de grande importância para o município, destacando-se, o término das obras e funcionamento do primeiro Hospital Municipal de Pinheiral. Em outubro de 2008 foi re-eleito para a prefeitura o
Dr. Antonio Carlos Leite Franco

ASPECTOS SÓCIO - CULTURAIS

O Município de Pinheiral , apesar de ter acelerado seu desenvolvimento nos últimos anos, ainda mantém costumes e hábitos herdados das antigas gerações, como: se reunir na praça principal nos fins de semana, sendo que aos domingos, o movimento acontece sempre após a missa das 19 horas na Matriz.
Pela sua localização, ainda está muito ligado aos Municípios vizinhos, devido as boas condições das estradas, facilitando o acesso e ofertas de trabalho que suprem esta carência ainda existente.
Pinheiral se desenvolve, tendo como prioridade a preocupação com a melhoria da qualidade de vida de seus munícipes, investindo principalmente em Educação, Saúde, Cultura, Esporte e Lazer.

ASPECTOS ECONÔMICOS



A S P ECTO S G E O G R Á F I C O S

O município de Pinheiral está localizado ao Sul do Estado do Rio de Janeiro, Região do Médio Paraíba, limita-se com os seguintes Municípios:

ao Norte – Município de Barra do Piraí

ao Sul – Município de Piraí

ao Leste – Município de Piraí

ao Oeste – Município de Volta Redonda

De acordo com o último Censo divulgado em 01/07/2005 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pinheiral possuí uma área de 77 Km2 com cerca de 22. 476 habitantes.
A vegetação predominante é de pastagens e capoeiras. Existência de algumas matas ( mata do do Abio, Mata do Papagaio , Mata da Caixinha de Areia).
O clima tropical de altitude (365 + 585 em relação ao nível do mar).
O relevo tem como predominância elevações cristalinas de formas arredondadas, cujo conjunto é conhecido como “ mar de morros”.
Sua hidrografia tem como principal o Rio Paraíba do Sul, tendo como afluentes principais ribeirões:
• Três Poços, Caximbal, Maria Preta, Botafogo, Córregos Três Saltos, Córrego Modelo Córrego da Serrinha, Córrego da Valeta e Córrego Rolamão.
A principal ocorrência mineral é a argila.



MONUMENTOS HISTÓRICOS

• Ruínas do Casarão da antiga fazenda de café São José do Pinheiro (1851)
Os “Amigos do Casarão”, estão se mobilizando em busca de recursos para sua
restauração com a proposta de lá se instalar um centro cultural.
• Estação Ferroviária de Pinheiral – 1908 – Onde está instalada a Biblioteca Pública
• Caixa d’água da Estação – Servia para abastecer as locomotivas denominadas “Maria Fumaça”
• Prédio do Colégio Agrícola Nilo Peçanha
• Obelisco de fundação da Praça Teixeira Campos – localizado ao lado da Biblioteca. O monumento foi resgatado às margens do Rio Paraíba do Sul pelo Departamento de Cultura no ano de 2006.

EDIFÍCIOS PÚBLICOS

• Prefeitura Municipal
• Polícia Militar (CPI B.P.M. 5ª CIA)
• 101ª Delegacia Legal
• Hospital Municipal Aurelino G. Barbosa
• Fórum
• Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer
• Secretaria Municipal de Saúde
• Pronto Socorro Municipal
• Posto de Saúde Aciolli Ribeiro do Nascimento
• PSF das Palmeiras, do Cruzeiro, Bairro São Jorge, Varjão...
• Correios e telégrafos
• Detran
• Fundação Leão XIII
• Junta de Serviço Militar – JSM-156
• Cartório
• Banco do Brasil
• Secretaria de Obras e Garagem Municipal
• Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Indústria e Agricultura
• CEDAE
• Cemitério e Capela Mortuária Municipal
• Escolas


PRINCIPAIS RUAS


• Avenida Newton Penna Botelho
• Rua Justino Ribeiro
• Rua Nini Cambraia
• Rua Bulhões de Carvalho
• Rua Tancredo Neves
• Rua das Palmeiras
• Rua Boaventura Xavier Botelho
• Rua José Breves
• Rua Bahia
• Rua Juarez Távora
• Rua José Gomes da Silva Júnior
• Rua Luiz Antonio Garcia da Silveira
• Rua Benedito Honorato
• Avenida Pinheiral
• Etc...

BAIRROS

• Centro
• Palmeiras
• Vale do Sol
• Parque Maira
• Três Poços
• São Jorge
• Varjão
• Rolamão
• Bela Vista
• Cruzeiro
• Chalé
• Mutirão da Paz
• Oriente
• Ipê
• Paraíso
• Colina
• Goiabal
• Vale Verde
• Olaria do Meio
• Santa Cecília
• Vale dos Pinheiros
• Planalto do Sol


PRINCIPAIS PRAÇAS


• Praça Brasil e Teixeira Campos (Centro)
• Espaço Alternativo Prof. Jair Máximo (São Jorge)
• Praça Padre Paulo Roberto Hottz(São Jorge)
• Praça João Januário Júnior(Paraíso)
• Praça Júlio Salgueiro Barbosa(Rolamão)
• Praça João Macena de Lima (Varjão)
• Praça Newton Penna Botelho (Bela Vista)
• Praça das Palmeiras
• Praça José Nunes(Centro)
• Praça Esmeraldina de Paula Nunes(Centro)
• Praça Deputado Alcides Rodrigues Sabença(Centro)
• Praça G.G. Leite(Centro)
• Praça Luiz Gonzaga de Carvalho(Centro)
• Etc...

CENTROS DE DIVERSÃO

• Santos Social Clube
• Capitólio Futebol Clube
• Quadras Esportivas
• Campos de futebol
• Pesque e Pague do Carlão
• Pesque e Pague do Carlinhos
• Balneário Sítio dos Sonhos
• Casa Show
• Clube Campestre da A.A.P.V.R.

Judiciário:

O Fórum da Vara Única da Comarca de Pinheiral, foi inaugurado no dia 12 de Maio de 2000, tendo como o 1º Juiz o Dr. Paulo José Bastos Cosenza, atualmente o cargo é exercido pelo M.M. Dr. Juiz Luíz Cláudio Silva Jardim Marinho, Promotora Pública Dra. Anna Carolina Mattoso Soares de Abreu e Defensora Pública Dra. Alina Mara de Lacerda.


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